Emily Blunt Brasil | 27.10.2016 | A Garota no Trem,Entrevistas

Emily Blunt diz que só aceitou viver Rachel, a personagem central de “A garota no trem”, depois de fazer um pacto com o diretor do filme, a partir desta quinta nos cinemas brasileiros. Tate Taylor a assegurou que não iria reduzir o texto da britânica Paula Hawkins a uma história de detetive centrada na caricatura de uma mulher desesperada. A terceira obra de Hawkins foi o principal evento comercial do universo dos livros no ano passado, com mais de 15 milhões de exemplares vendidos, publicado em 50 países. Natural que as expectativas em Hollywood fossem altas para a produção de US$ 45 milhões, desde o começo do mês em cartaz nos EUA — por lá, o longa foi um sucesso médio de bilheteria e não agradou a crítica, que celebrou a atuação corajosa da atriz de 33 anos, mas torceu o nariz para o melodrama, recheado de cenas de violência, alcoolismo e sexo apresentadas de forma nada sutil.

— Era para ser mesmo feio, realista, sem anestesia em relação à violência. Vi o filme pela primeira vez com o meu pai, que é defensor público, já viu de tudo. Mas, na última cena de ação, quando Rachel faz o que faz, mesmo para quem leu o livro, como ele, o choque é grande. Ele ficou horrorizado. Era o que queríamos — comemora a atriz londrina.

Conhecido pela direção de outra adaptação literária para o cinema, “Histórias cruzadas”, a partir do livro “A resposta”, de Kathryn Stockett, que rendeu um Oscar de melhor atriz coadjuvante para Octavia Spencer em 2012, Taylor transportou a linha de trem, cenário-fetiche de Hawkins, dos subúrbios de Londres para os de Nova York. Blunt, no entanto, não precisou mexer no sotaque.

— Meu falar original, bem inglês, acentuou o isolamento dela, que se encontra em uma situação-limite, sem família, sem uma gama de amigos para ampará-la. Você tem a nítida noção de que ela não é dali, e o sotaque, nesse caso, ajudou — afirma Blunt.

Para os outros dois papéis centrais, Taylor escalou Rebecca Ferguson (a insegura Anna, mulher e mãe da filha de Tom, ex-marido de Rachel) e Haley Bennett (Megan). Justin Theroux vive o dúbio Tom, e Luke Evans encarna Scott, o marido aparentemente perfeito de Megan. Alcoolizada, desmemoriada, sem trabalho, rumo e marido desde que se descobriu infértil, Rachel se torna peça importante na investigação do súbito desaparecimento de Megan, cuja rotina era por ela observada, com inveja, da janela do trem.

— Ninguém ali é santa. Fiquei imediatamente fascinada pelo fato de as três mulheres estarem bem distantes do arquétipo da princesa. O buraco cavado pela Paula é bem mais embaixo — diz Blunt, de 33 anos, que se descobriu grávida de sua segunda filha durante as filmagens. Ela é casada há seis anos com o ator John Krasinski.

Irreconhecível no começo do filme, devido ao uso de uma prótese facial, ela já se prepara para viver Mary Poppins no musical a ser lançado em 2018 que encontra a personagem imortalizada por Julie Andrews duas décadas depois dos eventos narrados no filme de 1964.

— Estou animada para cantar e quero muito conversar com a Julie antes de filmar. Poppins é aquela mulher enigmática, cheia de planos bons, e, a meu ver, nostálgica pacas. Tudo aquilo de que preciso depois da tragédia da Rachel.

Layout por Meesvely · Hospedado por Flaunt Network · Alguns direitos reservados Emily Blunt Brasil ·